sexta-feira, 16 de abril de 2010

Cópia: tempo perdido

Embora seja uma prática bastante comum nas salas de aula brasileiras, a cópia quase nunca faz sentido como um recurso didático

No Brasil, os alunos copiam muito, por muito tempo, sem finalidade didática. 
Certamente você conhece esta cena: ao propor que as crianças copiem determinado texto, elas torcem o nariz, reclamam e, preguiçosamente, começam a transcrever o conteúdo para o caderno.Antes de lamentar a apatia da turma ou simplesmente seguir em frente com esse tipo de proposta ignorando o mal-estar, é necessário analisar a situação a fundo, em busca dos resultados que ela realmente proporciona e das aprendizagens que se pretende alcançar. Depois de fazer isso, pode acreditar, a cópia será praticamente banida das salas de aula, principalmente nas turmas de alfabetização.
Já está mais do que comprovado que os alunos são levados desnecessariamente a copiar muita coisa por muitas horas. Ao pesquisar o motivo que fazia os estudantes cubanos terem desempenho melhor do que os de outros países latino-americanos, o economista americano Martin Carnoy comparou 36 escolas de Cuba, Chile e Brasil. Entre várias descobertas, ele verificou que o tempo usado para copiar em território brasileiro é três vezes maior do que o registrado nas salas de aula cubanas.
"A cópia ocupa um lugar de destaque na prática dos alfabetizadores, mas na maioria dos casos é usada para fins que não contribuem para a aprendizagem e o avanço das crianças", afirma Najela Tavares Ujie, mestre em Educação e professora da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). Em 2006, ela coordenou uma pesquisa em que estudantes de Pedagogia acompanharam a rotina em sala de aula de 30 turmas de 1ª série em escolas públicas e privadas de Prudentópolis, a 204 quilômetros de Curitiba. Em apenas uma semana, eles se depararam com 215 propostas de cópia. Em 81% dos casos, a atividade estava relacionada à exercitação mecânica (visando o treino ortográfico para memorização e redução de erros), ao preenchimento de tempo (para punir as crianças e inibir conversas) e à reprodução no caderno dos exercícios apresentados no livro didático.
A presença dessa proposta antiquada é tão preocupante que também despertou a atenção, em 2008, de 3 mil universitários de 96 faculdades de Pedagogia e Letras participantes do programa Bolsa Alfabetização, em parceria com o programa Ler e Escrever, da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Os bolsistas atuavam juntamente com os professores titulares de turmas do 2º ano para desenvolver uma investigação didática relacionada às práticas escolares. "Eles rapidamente descobriram que o objetivo dos educadores era que as crianças aprendessem a ler e escrever copiando e que isso, obviamente, não ocorria. A atividade só servia mesmo para encher o caderno", conta Ellis França, professora da Faculdade Santa Marina. Outras percepções ficaram evidentes. Para os estudantes alfabéticos, a atividade era cansativa e sem sentido: eles não liam o que estavam copiando e cometiam muitos erros ortográficos, embora cumprissem a tarefa com rapidez. Para os não-alfabéticos, representava uma missão difícil de ser cumprida. "Eles copiavam letra por letra, pulavam palavras, perdiam a sequência do texto, demoravam muito e não conseguiam concluir. Tudo isso provocava muita frustração", explica Ellis. Por fim, ficou claro também que nem para a caligrafia a dita-cuja funciona. Segundo Marisa Garcia, doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e consultora do Programa Ler e Escrever/Bolsa Alfabetização, ao chegar ao fim da folha, o aspecto visual das letras está pior do que nas primeiras linhas.

Não basta ter propósito social. É preciso haver aprendizagem. Para que tenha alguma utilidade didática, a cópia tem de ser ressignificada pelos professores. "Ela tem sido considerada uma atividade com o poder de produzir escrita, mas copiar é transcrever, e não escrever", diz Marisa.
A tarefa pode favorecer a aquisição do sistema de escrita, quando, por exemplo, se propõe à criança a cópia do título do livro que ela vai levar emprestado para ler em casa. O desafio consiste em localizar onde aparecem o título do livro e o nome do autor, o que se converte em uma desafiadora situação de leitura. Essa é uma ideia citada em La Lectura en la Alfabetización Inicial - Situaciones Didácticas en el Jardín y la Escuela, publicação argentina coordenada pelas educadoras Claudia Molinari e Mirta Castedo, que reúne ações implementadas por um programa de alfabetização inicial daquele país.
Para ter alguma utilidade pedagógica, tem de responder muito bem à pergunta "copiar por quê?". Em uma palestra organizada em 2009 pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, a educadora argentina Delia Lerner, da Universidade de Buenos Aires, sugeriu mais questões para potencializar a indagação. A cópia é ou era uma prática social importante? Quais são seus propósitos? Para que se copiava antigamente? E hoje em dia? Além disso, é essencial, conforme destaca Delia, levar em conta o tipo de relação que existe entre a forma como o ato de copiar é apresentado na escola e a maneira como existe fora dela, no dia a dia. "É papel da instituição formar pessoas que saibam fazer coisas úteis fora de sala de aula" (leia abaixo).
A cópia ao longo da história
Antes da invenção da tipografia, em 1449, pelo mestre gráfico alemão Johannes Gutenberg (1400-1468), a cópia era uma atividade imprescindível. Era graças aos manuscritos, feitos por monges e frades, chamados copistas ou escribas, que os livros se difundiam. "Se hoje conhecemos os escritos de grandes pensadores, como o filósofo grego Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), foi porque os copistas os conservaram", diz Terezinha Oliveira, da Universidade Estadual de Maringá (UEM). "Para isso, eles não precisavam ser necessariamente grandes leitores. Ainda assim, eram considerados artistas, pois para os homens medievais a preservação do livro era vital para difundir o conhecimento e a sabedoria." Tal ofício, como relatam os historiadores Guglielmo Cavallo e Roger Chartier no livro História da Leitura no Mundo Ocidental, era extenuante. O escriba lia em voz alta o texto para ativar a memória imediata, enquanto transcrevia. Por volta do século 13, começaram a surgir equipamentos e móveis feitos para ajudá-los a reproduzir as páginas dos livros de maneira mais mecânica, sem terem de recorrer à leitura em voz alta. "Iluminuras e gravuras de madeira, mostrando scriptoria da fase medieval tardia, mostram copistas com a boca fechada, sentados em mesas equipadas com apoios para livros e utilizando uma variedade de novos marcadores de linha operados mecanicamente para guiar os olhos na ação de seguir o texto a ser copiado", descreve o livro.
Hoje, é possível copiar uma frase ou um texto inteiro com o computador ou com fotocopiadoras em segundos. "Não sei se os professores, quando pedem às crianças que copiem algo, têm consciência do que estão fazendo. Copiar é um esforço grande e não está claro que, como prática social, seja necessário nos dias de hoje", observa a educadora argentina Delia Lerner.
Um segundo grupo de questionamentos que deve ser feito tem a ver com a análise do ensino dessa prática. Nesse sentido, é importante que o professor se pergunte: como funciona a cópia na escola? Em que situações didáticas é proposta? Por quê? Ela aparece isolada ou relacionada a outras atividades? Como as crianças copiam? Afinal é fundamental também fazer com que o ato de copiar seja significativo para os estudantes. Em geral, imagina-se que basta propor que eles copiem coisas como letras de música, lista de telefones dos colegas e receitas para serem consultadas depois. No entanto, não se trata disso. "É preciso entender que nesse processo é imprescindível haver alguma aprendizagem", diz Delia.
Um bom exemplo do emprego dessa estratégia é apresentado pela educadora argentina Ana Teberosky no artigo A Intervenção Pedagógica e a Compreensão da Língua Escrita. A autora conta que uma professora de um grupo de crianças de 5 anos de uma escola de Barcelona, na Espanha, articulava ditado, leitura, cópia e escrita em uma só atividade, pedindo que os pequenos ditassem a história em que estavam trabalhando para que ela a escrevesse no quadro, deixando claro que registraria tudo o que fosse dito. Eles ditavam alguns trechos enquanto conversavam entre si e faziam comentários. Assim, ela anotou: "As sete cabrinhas era uma vez uma mãe ai que comprido a mãe foi embora". Quando leu em voz alta, todos protestaram, dizendo que havia palavras a mais, que não faziam parte da história. Então, ela solicitou que fosse indicado o que deveria ser apagado e isso era feito enquanto relia o trecho. Ao fim da atividade, pediu às crianças para copiar do quadro o texto que haviam ditado, já com as correções feitas, para que continuassem trabalhando na aula seguinte. Nessa situação, a cópia tem razão de ser porque conserva um fragmento de uma história que vai ser retomada em outra ocasião e o texto que foi copiado é conhecido - as próprias crianças o produziram. Essas são duas condições imprescindíveis para a cópia ter algum sentido na perspectiva da alfabetização inicial, além de, é claro, estar explícito que todos estão copiando para determinado fim e não só porque a professora quis que copiassem. Nesse mesmo estudo, Ana também percebeu que muitos alunos copiavam o texto dos colegas mais próximos em vez de reproduzir o que estava no quadro. Fazem isso porque o caderno está mais próximo do que o quadro - uma atitude que, de acordo com Delia, tem um paralelo com os equipamentos criados para os copistas da Idade Média para minimizar o grau de deslocamento ocular entre o original e a cópia.
Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/formacao-continuada/copia-tempo-perdido-didatica-alfabetizacao-leitura-producao-texto-529070.shtml <16/4/2010>

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

terça-feira, 2 de junho de 2009

Oração do Professor

“Dai-me, Senhor, o dom de ensinar,
Dai-me esta graça que vem do amor.
Mas, antes do ensinar, Senhor,
Dai-me o dom de aprender.
Aprender a ensinar
Aprender o amor de ensinar.
Que o meu ensinar seja simples, humano e alegre, como o amor.
De aprender sempre.
Que eu persevere mais no aprender do que no ensinar.
Que minha sabedoria ilumine e não apenas brilhe
Que o meu saber não domine ninguém, mas leve à verdade.
Que meus conhecimentos não produzam orgulho,
Mas cresçam e se abasteçam da humildade.
Que minhas palavras não firam e nem sejam dissimuladas,
Mas animem as faces de quem procura a luz.
Que a minha voz nunca assuste,
Mas seja a pregação da esperança.
Que eu aprenda que quem não me entende
Precisa ainda mais de mim,
E que nunca lhe destine a presunção de ser melhor.
Dai-me, Senhor, também a sabedoria do desaprender,
Para que eu possa trazer o novo, a esperança,
E não ser um perpetuador das desilusões.
Dai-me, Senhor, a sabedoria do aprender
Deixai-me ensinar para distribuir a sabedoria do amor.”

Antonio Pedro Schlindwein

Oração de São Francisco de Assis

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
onde houver discórdia, que eu leve a união;
onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
onde houver erro, que eu leve a verdade;
onde houver desespero, que eu leve a esperança;
onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
onde houver trevas, que eu leve a luz.
Mestre, fazei com que eu procure mais
consolar do que ser consolado;
compreender do que ser compreendido;
amar que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se nasce para a vida eterna!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Acordo ortográfico

Vinte e seis letras, não mais 23. O “k”, o “w” e o “y” novamente fazem parte do alfabeto. Trema? Esqueça. Já o hífen aparece com novas particularidades. Apesar de as mudanças causarem um certo estranhamento, apenas 0,43% das palavras do alfabeto do Brasil sofrerá alterações a partir de 2009 com o acordo ortográfico. E o decreto presidencial prevê quatro anos para adaptação.

No dia 14 de novembro, os ministros da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, e de Portugal, José Antônio Pinto Ribeiro, se encontraram em Lisboa para a primeira reunião extraordinária entre ministros da Educação e Cultura da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). O encontro serviu para o avanço de sugestões para a implementação do acordo e para o impulso da teoria à prática. Uma das propostas de Juca Ferreira foi a criação de um portal com conteúdo cultural, onde seriam disponibilizados textos, vídeos e áudios em português unificado. Outro projeto citado foi a possibilidade de criação de uma televisão comum em língua portuguesa, cuja idéia já teria despertado interesse em alguns canais de TV a cabo.

O acordo ortográfico é a unificação gráfica da língua portuguesa no mundo. Dessa forma, todos os países lusófonos terão a mesma ortografia. De acordo com o escritor e presidente da Comissão de Língua Portuguesa do Ministério da Educação (MEC), Godofredo de Oliveira Neto, os sotaques, a sintaxe e as características lexicais são mantidos. Os regionalismos são respeitados, por exemplo, sandália no Nordeste permanece como o termo para designar qualquer tipo de calçado. No Sul, namorar “com” alguém persiste, enquanto que cariocas, por exemplo, continuam namorando alguém. Paragem de ônibus em Portugal continua a ser parada de ônibus no Brasil. E o António português continuará convivendo com o Antônio brasileiro.

“Com o acordo, os países de língua portuguesa terão uma identidade mais forte e a língua portuguesa sai fortalecida. Haverá maior circulação de livros entre os países lusófonos. Com uma tiragem maior, a expectativa é que o livro saia mais barato, o que vai contribuir para a diminuição do analfabetismo”, analisa Godofredo.

A sétima língua mais falada do mundo ainda não conseguiu entrar para o rol das oficiais de órgãos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU). Todos os documentos publicados em português têm que ser disponibilizados em duas vias: português do Brasil e português de Portugal. De acordo com Godofredo, apesar de em outras línguas também não existir uma total combinação – como é o caso do inglês falado nos Estados Unidos e na Inglaterra, e do espanhol na Espanha e na Argentina –, essas diferenças são vistas como variações, e não como erros. “A unificação vai reforçar a influência da língua portuguesa na comunidade internacional. A produção científica dos países lusófonos vai poder ser veiculada mais facilmente e criará um bloco mais coeso na política global.”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, no dia 29 de setembro de 2008, na Academia Brasileira de Letras, o documento de entrada no acordo. Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe são os outros países que também já aderiram à unificação da língua. Faltam, ainda, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor Leste. Godofredo afirma que trâmites internos atrasaram a ratificação do acordo por parte desses países, mas ele acredita que todos assinarão em breve.

O prazo para a adaptação definitiva ao acordo no Brasil expira em dezembro de 2012. Até lá, serão aceitas as duas normas em vestibulares, provas e concursos públicos. Mas, em diário oficial e jornais, assim como demais áreas, janeiro de 2009 é o marco para o início das novidades. Godofredo diz que as escolas já estão ensinando a nova gramática.

Por outro lado, o diretor da Imago Editora, Eduardo Salomão, questiona a nova legislação. Ele acredita que a relação custo-benefício da unificação não é boa. “Os custos para trocas de livros nas editoras podem ser contabilizados. Mas os custos sociais, não. Qual será o preço da adaptação de toda a sociedade brasileira?”, desafia. “Nós vivemos em um país com quase 200 milhões de pessoas e todo mundo terá que se adaptar.”

Salomão afirma que a responsabilidade da nova legislação na internet também não é mensurável. “Desde sites de banco até sites de busca, será que alguém se dará ao trabalho de organizar o banco de dados com o novo acordo ortográfico? Existe um prazo para as editoras, para os jornais. E para os sites?” As editoras terão custos materializados, como revisões e novas produções. “Teremos que fazer tudo de novo. Eventualmente, teremos até que refazer a capa.”

Para Salomão, é provável que a sociedade ainda conviva com as duas regras ortográficas que em um período maior que dois anos. “Como será o vestibular daqui a três anos? Vão tirar ponto se for utilizado um acento em desuso?”

A última proposta de unificação ortográfica da língua portuguesa no mundo veio do Brasil, de acordo com Godofredo de Oliveira Neto. Durante o governo do ex-presidente José Sarney, o projeto foi apresentado por uma comissão coordenada pelo filólogo Antonio Houaiss, em reuniões no Maranhão e em Lisboa.

Em 1990, foi assinado o primeiro acordo, onde foram estabelecidas todas as regras. A Câmara e o Senado aprovaram o acordo internacional em 1995, quando saiu um decreto legislativo, para posterior assinatura pelo Executivo.

Então, vamos às mudanças. As três letras novas do alfabeto são usadas em situações bastante usuais, como na palavra “show” e na unidade de medida “km”. O trema – sinal colocado na letra “u” para sinalizar que deve ser pronunciada – não será mais usado. Agüentar vira aguentar e cinqüenta, cinquenta. No entanto, o sinal permanece em palavras estrangeiras e em suas derivações, como Müller e mülleriano.

A acentuação trará mudanças nos ditongos abertos “éi” e “ói” das palavras paroxítonas. Agora é boia, e não mais bóia; celuloide, e não celulóide; e apoia, e não apóia. E a Coréia como fica? Coreia. No entanto, a regra é válida somente para paroxítonas. As palavras oxítonas continuam acentuadas, como heróis e troféu. O acento também será abolido no “i” e “u” tônicos, quando vierem após um ditongo, como é o caso de feiúra, que passará a ser feiura. Mas, como toda a regra tem sua exceção, o acento continua em oxítonas com o “i” e o “u” em posições finais (tuiuiú, tuiuiús, Piauí).

Abençoo. Enjoo. Zoo. Sim, sem acento, palavras terminadas em “êem” e “ôo(s)”. A diferenciação entre pelo, pêlo, para, pára não existirá mais. Será o certo escrever “Ele para o carro”, sem o acento no primeiro “a” de “para”. Mas o verbo “poder” tem uma especificidade no novo acordo, uma vez que permanece o acento diferencial em pode e pôde – Pretérito Perfeito do Indicativo do verbo poder, na 3ª pessoa do singular. Os verbos “por”, “ter” e “vir” – junto com seus derivados (manter, deter, convir, entre outros) – também são exceções. Continuam “Vou pôr o lápis na mesa.”, “Elas têm duas bonecas.” e “Eles detêm o poder.”. No caso da diferenciação entre forma e fôrma, a escolha é facultativa.

Os verbos “arguir” e “redarguir” não terão mais o acento agudo tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem. As terminações “guar”, “quar” e “quir” sofrerão variações de pronúncia. “Averiguar” e “enxaguar” estão no conjunto. Se forem pronunciados “a” e “i” tônicos, as formas devem ter acento – enxágua, delínquem. Mas, se tiverem o “u” tônico, não devem ser acentuadas — enxaguo, enxague, delinquem. No Brasil, a pronúncia mais usada é a primeira.

O hífen gera debates. De acordo com críticos, as novas regras do hífen são as mais polêmicas e que exigem maior trabalho da Academia Brasileira de Letras na implementação do acordo ortográfico. Com prefixos – como “aero”, “neo”, “mini”, “pós” e “super” – usa-se sempre o hífen caso a palavra seguinte seja iniciada por “h”. Podem-se ser usados os termos mini-hotel, super-homem e ultra-humano. Exceção: subumano, onde a palavra perde o “h”. No entanto, se o prefixo termina em vogal diferente da vogal em que se inicia o segundo elemento, o hífen é ignorado. Aeroespacial, Antiaéreo, autoescola e coautor serão escritas desta forma a partir de 2009 no Brasil. No caso do prefixo “co”, há aglutinação com a palavra seguinte, como em coobrigar, coordenar e cooperação.

O hífen não é utilizado quando o prefixo termina em vogal e o elemento seguinte começa com consoante diferente de “r” ou “s”, como é o caso de antipedagógico. Já o prefixo “vice” sempre pede o hífen. Mas, se o prefixo termina em vogal e o termo seguinte começar com “r” ou “s”, essas letras sofrem duplicação. Antirracismo, antissocial, neorrealismo. Sim, assim mesmo.

Anti-ibérico, anti-imperialista, micro-ondas e semi-interno passarão pelo corretor ortográfico. Estes termos estão incluídos no caso de o prefixo terminar com uma vogal e o elemento seguinte começar com a mesma letra. O hífen será mantido. A regra será mantida também no caso de o prefixo terminar por consoante, se o segundo elemento começar com a mesma consoante, como será o caso de inter-racional, super-romântico e sub-bibliotecário. Esqueça o hífen nos outros casos.

O prefixo “sub” pede hífen também diante de palavra iniciada por “r”, como em sub-raça e sub-região. Já com “circum” e “pan”, o famoso tracinho será utilizado diante de palavra iniciada por “m”, “n” e vogais.

As regras do hífen têm ainda maior abrangência e outros pequenos detalhes. Se o prefixo terminar com uma consoante e o elemento seguinte começar com vogal, esqueça o traço. Hiperativo e interestadual serão assim mesmo, escritos juntos, “superamigos”. Quando lembrar-se do aquecimento global, não esqueça: superaquecimento.

“Ex”, “sem”, “além”, “aquém”, “recém”, “pós”, “pré” e “pró” são prefixos que ainda pedem hífen. Sem-terra, pré-vestibular e ex-presidente continuam na mesma situação… Assim como os sufixos de origem tupi-guarani, mirim, guaçu e açu (como é o caso de capim-açu). E o traço persiste. Encadeamentos vocabulares formados por duas ou mais palavras: Rio-Niterói. Mas em palavras que perderam a noção de composição o hífen não deve ser usado. Girassol, paraquedista e pontapé ficam desta forma.

Não se esqueça: se você estiver escrevendo e, por acaso, o hífen coincidir com o final da linha, repita-o na linha seguinte. Busca-se sempre a clareza gráfica. De qualquer maneira, a Academia Brasileira de Letras vai publicar o vocabulário ortográfico em fevereiro próximo, obra que fixará definitivamente todas essas mudanças.

Após este resumo, não tenha medo. Além do que lei é lei, e deve ser cumprida. São Tomé e Príncipe aderiram ao acordo em 2006. O Brasil já tinha começado os trâmites internos em 2007, mas aguardou a posição final de Portugal para formalizar sua participação. “O Brasil esperou Portugal porque entendeu que algo que veio para unificar não tinha porque nascer desunido”, observou o presidente da Comissão de Língua Portuguesa do MEC.

O documento assinado por Portugal – que terá 1,42% de mudanças em seu alfabeto – foi um avanço, uma vez que o país era o mais reticente a respeito das novas normas. Os portugueses haviam encarado o acordo como uma imposição dos editores brasileiros. “A idéia de dono da língua não faz sentido. Quem é o dono é o usuário”, conclui Godofredo.

Extraído do site: <http://opiniaoenoticia.com.br/cultura/o-be-a-ba-da-unificacao-grafica-da-lingua-portuguesa/?ga=nsb> em 20/5/2009

10 brincadeiras que devem fazer parte da infância

Amarelinha

1ª etapa - O primeiro jogador, joga a pedra na primeira casa (1) e com um pé só pula esta pisando no 2, depois no 3 e 4 ao mesmo tempo, depois no 5 com um pé só, e depois no céu ( 6 e 7) com os dois pés ao mesmo tempo. Vira e volta, quando chegar no 2 pega a pedra no 1 e pula fora. Depois joga no 2. Pula no nº 1 com um pé só, salta o 2 e assim por diante. Não pode pisar na linha senão é a vez do outro.

2ª etapa - Chutinho - Joga-se a pedra perto, antes da amarelinha. Começa a chutar sem tocar nos riscos, se errar é a vez de outra criança.

3ª etapa - Joga-se sem pedra com os olhos vendados, então diz: pisei? E as outras crianças respondem não. Se pisar e disserem sim é a vez de outra.

4ª etapa - De costas, joga a pedra por trás de si, sem ver ainda onde parou. Onde a pedra cair exclui-se marcando um x com giz. Vira e começa a pular igual à primeira etapa, porém na casa excluída pode-se pisar com os dois pés.

Batata quente

Todos em roda, sentados no chão, com um objeto na mão vai passando e cantando a seguinte canção:

_ Batata que passa quente, batata que já passou, quem ficar com a batata, coitadinho se queimou!

Quando disser queimou, a pessoa que estiver com o objeto na mão, sai da roda.

Cabra-cega

Escolha um lugar nem tão grande nem tão pequeno. Tire a sorte no par ou ímpar, no 0 ou 1 para ver quem será a cabra-cega. A cabra-cega deverá ter os olhos vedados com um lenço. Depois as crianças deverão rodar a cabra-cega e iniciar a brincadeira com as perguntas e respostas:

Todos: Cabra-Cega, de onde você veio?

Cabra-Cega: Vim lá do moinho.

Todos: O que você trouxe?

Cabra-Cega: Um saco de farinha.

Todos: Me dá um pouquinho?

Cabra-Cega: Não.

Todos então saem correndo e a cabra-cega deverá tentar pegar alguém. Quando conseguir ela deverá adivinhar quem é. Se acertar a presa deverá ser a próxima cabra-cega, se errar a cabra-cega continua sendo a mesma de antes.

Cinco Marias

Você poderá brincar de 5 Marias com cinco pedrinhas ou cinco saquinhos de pano. Os saquinhos poderão ser feitos com retalhos com enchimento de arroz.

Deve-se tirar a sorte para ver quem iniciará o jogo. Inicia-se jogando os saquinhos para cima e onde caírem devem ficar. O jogador pega outro saquinho e joga para cima enquanto pega outro saquinho antes do primeiro cair no chão. Depois deverá jogar os dois saquinhos para cima e tentar pegar um terceiro saquinho do chão. E assim por diante. Ganha 1 ponto quem conseguir pegar os 5 saquinhos se não conseguir passa a vez.

Elefantinho colorido

As crianças ficam em roda e uma delas fala:
__ Elefante colorido!
Os outros perguntam:
__ De que cor ele é?
A criança deverá escolher uma cor e as outras deverão tocar em algo que tenha esta cor. Se não achar esta cor o elefantinho irá pegá-lo.

Forca

Pode-se brincar no quadro-negro ou num papel. Uma criança pensa numa palavra e depois coloca a quantidade de traços correspondentes ao número de letras da palavra. Por exemplo: se a palavra escolhida for CADEIRA ela deverá fazer 7 traços.

As crianças em ordem começarão a dizer as letras tentando acertar. A criança que está ao quadro deverá escrever em cima da linha as letras que forem ditas e que existirem na palavra. Se disserem uma letra que não existir na palavra, a criança ao quadro desenha a cabeça de um bonequinho. A cada erro irá colocando uma parte do corpo até ser enforcado, neste caso a criança deverá determinar uma prenda a ser paga. Quem acertar a última letra, irá para o quadro escrever uma nova palavra.

Jogo da velha

Faz-se o seguinte traçado em uma folha de papel: duas linhas verticais (em pé) e duas linhas horizontais (deitada).

Joga dois participantes. Tira par ou ímpar para ver quem começa. O que inicia escolhe entre x ou 0. Se escolher X coloca-o em alguma casa, o outro fica com o 0 que escolhe outra casa. Ganha quem conseguir fechar uma coluna na horizontal, vertical ou diagonal.

OBS.: Pode-se jogar com pedrinhas, grãos, na areia, quadro de giz. Use a criatividade.

Lenço Atrás

Os componentes deverão tirar a sorte para ver quem ficará com o lenço. Deverão sentar na roda com as pernas cruzadas. Quem estiver segurando o lenço corre ao redor da roda enquanto o grupo fala:

Corre, cutia

Na casa da tia

Corre, cipó

Na casa da avó

Lencinho na mão

Caiu no chão

Moço bonito

Do meu coração.

O dono do lenço então pergunta:

- Posso jogar?

E todos respondem:

- Pode!

Um, dois, três!

Deixa então o lenço cair atrás de alguém da roda. Este deverá perceber, pegar o lenço e correr atrás de quem jogou antes que este sente no seu lugar. Se conseguir pegar aquele que jogou ele será o próximo a jogar o lenço, se não conseguir quem jogou o lenço continuará segurando o lenço para jogar atrás de outra pessoa.

Passa anel

Sentados numa roda o grupo tira a sorte para ver quem vai passar o anel. Todos devem unir as palmas das mãos e erguê-las na sua frente. Quem ganhou na sorte deve segurar o anel entre as palmas das mãos e passar as suas mãos pelas mãos dos componentes do grupo deixando o anel nas mãos de alguém que ele escolher, mas deve continuar fazendo de conta que continua passando o anel até o último do grupo.

Ao final pergunta a um dos participantes onde está o anel? Se este acertar ele será o próximo a passar o anel. Se errar, quem recebeu o anel é que passará, começando novamente a brincadeira.

Seu lobo

Escolhe-se uma criança para ser o lobo que deverá se esconder perto. As outras crianças deverão ir até onde o lobo está escondido e então cantam: vamos passear na floresta enquanto seu lobo não vem, seu lobo está? Então o lobo responder: estou tomando banho. As crianças dão outra volta cantando novamente até chegar perto da casa: vamos passear na floresta enquanto seu lobo não vem, seu lobo está? O lobo responde outra coisa: estou botando meu sapato e assim por diante cada vez o lobo dirá algo diferente que está fazendo, até quando estiver pronto. O lobo então sai sem falar nada atrás das crianças. A que ele conseguir agarrar será o próximo lobo.